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4/02/2013

As suas palavras fazem toda a diferença


"Sempre damos graças a Deus por todos vocês, mencionando-os em nossas orações. Lembramos continuamente, diante de nosso Deus e pai, o que vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo." 1 Tessalonicenses 1.2-3

Você se lembra da história do pastor Tohar Haydarov, do Uzbequistão?
Impossibilitado, muitas vezes, de visitar as igrejas que fundara, ora por conta das longas distâncias que teria de percorrer, ora por causa da urgência de compartilhar o evangelho de Cristo em outras regiões, ou por estar preso, o apóstolo Paulo procurava se comunicar com os irmãos da Igreja Primitiva por meio de cartas. Ao ler as cartas paulinas percebemos que elas tinham, pelo menos, três objetivos principais: fortalecer, exortar e instruir os cristãos na fé.


Impossibilitado, muitas vezes, de visitar as igrejas que fundara, ora por conta das longas distâncias que teria de percorrer, ora por causa da urgência de compartilhar o evangelho de Cristo em outras regiões, ou por estar preso, o apóstolo Paulo procurava se comunicar com os irmãos da Igreja Primitiva por meio de cartas. Ao ler as cartas paulinas percebemos que elas tinham, pelo menos, três objetivos principais: fortalecer, exortar e instruir os cristãos na fé.


A Portas Abertas está organizando uma campanha de cartas para o pastor Tohar, assim como fez a outros irmãos que estiveram ou ainda estão presos e que por meio das cartas de milhares de pessoas puderam sentir o conforto e consolo de Deus no tempo da angústia.
A Portas Abertas está organizando uma campanha de cartas para o pastor Tohar, assim como fez a outros irmãos que estiveram ou ainda estão presos e que por meio das cartas de milhares de pessoas puderam sentir o conforto e consolo de Deus no tempo da angústia. 

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Por meio desse verso de 1Tessalonicenses, o apóstolo Paulo procura trazer à memoria dos irmãos da cidade de Tessalônica, que passavam por severa perseguição, a importância que eles tinham para ele (Paulo).
Mesmo em meio a tantos desafios e problemas enfrentados por Paulo durante sua jornada de pregação do evangelho, ele fazia questão de separar um momento do seu dia para escrever, com os próprios punhos, cartas a todos os seus irmãos na fé.
Paulo conhecia as necessidades daqueles irmãos, só não imaginava que, mais de dois mil anos depois, essas cartas continuariam sendo fonte de bênção e inspiração para a Igreja de Cristo.
O jovem pastor Tohar foi preso em janeiro de 2010 (então com 27 anos de idade) sob a acusação de posse e tráfico de drogas. De acordo com testemunhas, Tohar foi preso e levado à delegacia; ali, policiais o interrogaram e o pressionaram para que renunciasse sua fé. Quando ele se recusou a fazer o que pediam, eles plantaram drogas em seu
bolso e confiscaram as chaves de sua casa. Após uma revista policial na casa do pastor,supostamente mais drogas foram encontradas. Tohar foi agredido e forçado a assinar alguns papéis. Dois meses depois, Tohar foi condenado a 10 anos de prisão. Os irmãos de sua igreja foram proibidos de testemunhar a seu favor no tribunal.
Saiba mais clicando aqui!

#BRASIL

Crônicas de um Contrabandista de Deus parte 3/12

"O trem para Varsóvia saía de Amsterdã em 15 de julho de 1955. Fiquei admirado com o grande número de estudantes que fora atraído pelo festival. Centenas de moços e moças aglomeravam-se na estação. Pela primeira vez, comecei a crer nos números exagerados que lera na revista. Sentia-me muito sozinho. Eu não conhecia uma só pessoa em toda a Polônia e não sabia uma palavra sequer do idioma. De todos os quadrantes do mundo, milhares e milhares de jovens estavam convergindo para Varsóvia, com propósitos exatamente opostos aos meus.

Os jornais da Holanda publicaram tantas notícias a respeito da prisão dos líderes eclesiásticos da igreja polonesa e do fechamento de seminários, que eu tinha a impressão de que religião na Polônia era uma atividade clandestina.

Aparentemente, a livraria evangélica que eu visitara estava funcionando, apesar de não ter Bíblias. Eu passara por igrejas católicas cujas portas estavam bem abertas. Será que havia igrejas protestantes também funcionando? Resolvi verificar por mim mesmo.
De táxi, dez minutos depois, eu estava assistindo a um culto numa Igreja Reformada, atrás da "Cortina de Ferro". Fiquei surpreso com o tamanho da congregação; a igreja se encontrava com cerca de 3/4 dos bancos cheios. Fiquei surpreso, também, com o número de jovens. O cântico dos hinos era entusiástico, o sermão aparentemente centralizado nas Escrituras. Depois que a maior parte da congregação havia saído, o pastor e alguns jovens dispuseram-se a conversar comigo. Sim, eles cultuavam abertamente, e com considerável liberdade, enquanto se mantivessem longe dos assuntos políticos. Sim, havia membros da igreja que também eram membros do Partido Comunista. "Bem, o regime faz tanto pelo povo, que agente apenas fecha os olhos quanto ao resto", disse o pastor, encolhendo os ombros, "mas o que é que a gente pode fazer?"

Naquela mesma noite, fui conhecer outra igreja que me indicaram. O culto já começara quando cheguei. O número de pessoas era menor. O povo já não era tão bem vestido quanto o outro, e quase não havia jovens. Mas aconteceu uma coisa interessante. Haviam dado ao pastor a notícia de que havia um estrangeiro na congregação, e imediatamente fui convidado a falar-lhes. Fiquei alarmado. Seráque eles tinham tanta liberdade assim? E ali estava eu, um crente do outro lado do mundo, pregando o evangelho em um país comunista.

Ao fim de minha curta pregação, o pastor falou a coisa mais interessante que eu poderia ter ouvido: "Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta."

Naquela noite, fiquei pensando em como aquelas duas igrejas eram diferentes. Uma, aparentemente, estava seguindo a rota da cooperação com o governo: atraía grandes multidões, era aceitável para os jovens. A outra, eu sentia, estava seguindo por um caminho solitário. Eu estava prendendo tantas coisas e tão depressa, que era difícil assimilar tudo. Algo me dizia que nem tudo era como parecia ser.
Eu tinha um objetivo especial, queria orar por cada pessoa que eu encontrara durante aquela viagem. A manhã seguinte seria a última que passaria em Varsóvia. Enquanto estava ali sentado, orando, ouvi uma música. Ela vinha pela avenida. Marcial, forte, com o som de vozes cantando.
Ali vinham os jovens socialistas, marchando. Nem por um momento eu podia crer que eles fossem coagidos. Marchavam porque criam. O que é que eu, do Ocidente, poderia fazer a respeito deles, daqueles milhares de jovens que passavam marchando à minha frente?

Coloquei a mão sobre minha Bíblia, e vi que estava olhando para o livro de Apocalipse. Meus dedos descansavam sobre a página, quase como se estivessem indicando uma passagem: Apocalipse 3.2 "Sê vigilante", dizia o versículo que estava sob a ponta do meu dedo, "e consolida o resto que estava para morrer..."

Repentinamente, compreendi que eu estava vendo as palavras através de uma cortina de lágrimas. Será que Deus as estava falando para mim naquela hora, dizendo que a obra da minha vida seria ali, atrás da "Cortina de Ferro", onde o remanescente da sua Igreja estava lutando para sobreviver? Será que eu teria uma participação no fortalecimento daquele precioso resto?"


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Foto: Casa dos pais do Irmão André, na Holanda, onde ele viveu até os 28 anos #BRASIL

Um novo tempo


E um novo tempo começou...

O tempo do Senhor chegou e tenho o privilégio de me juntar a vocês para trabalhar pela causa dos cristãos perseguidos através da Portas Abertas. Após cinco anos servindo em tempo integral numa igreja na cidade de São Paulo, é uma alegria e um grande desafio para mim ter sido escolhido por Deus para dar continuidade em nosso país ao ministério iniciado pelo querido Irmão André.
Durante o tempo em que morei na China e pude ver de perto a perseguição religiosa, com policiais do governo fazendo o controle dos passaportes de asiáticos nas portas das igrejas que eram específicas para estrangeiros e impedindo o acesso de chineses, ou quando ouvi o relato de prisões de cristãos que se reuniam "clandestinamente" em suas casas com outros irmãos, não podia nem imaginar que um dia estaria compartilhando do sofrimento deles com você, parceiro da Portas Abertas Brasil.
Também não tinha ideia, quando ouvia e assistia aos vídeos e relatos de um irmão da Indonésia que descrevia a situação de cristãos em seu país, escoltados pela polícia local no caminho para o culto para que não fossem linchados por radicais de outra religião, que um dia estaria orando, apoiando e lutando por esta causa juntamente com você, nosso parceiro e irmão em Cristo.
"Os planos do Senhor são mais elevados que os nossos planos." Agradeço a você que continuou nos apoiando neste período de transição. Minha oração é que Deus continue a nos direcionar para podermos servir cada vez melhor a Deus e aos irmãos perseguidos.
Nesta edição de fevereiro, preparamos matérias especiais para o lançamento da Classificação de países por perseguição 2013, conhecida também como WWL (World Watch List), a lista organizada pela Portas Abertas Internacional que mostra quais são os 50 países mais intolerantes ao cristianismo. As opiniões dos nossos parceiros têm sido um canal de comunicação fundamental entre você, leitor, e nossa equipe. Não perca também nossas outras matérias, como a segunda parte das Crônicas de um contrabandista de Deus, a "Sua vez", em que você terá a oportunidade de conhecer um pouco sobre o conselho da Portas Abertas Brasil e muito mais.
Em nosso 35º aniversário no Brasil, continue conosco e celebre mais um ano em defesa da causa dos irmãos perseguidos. Minha oração é que sejamos um com Ele para que possamos ser UM COM ELES.

Marco CruzSecretário Geral da Portas Abertas Brasil



Marco
Foto: Marco e família #BRASIL

Crônicas de um Contrabandista de Deus parte 2/12

fusca
"Senhor, se tu me mostrares o caminho, eu te seguirei. Amém." Foi simples assim. Mas recuei outra vez. Parecia-me que havia muitos pontos contra mim. Eu não tinha estudado muito e, embora eu escondesse o fato, tinha um tornozelo aleijado. Como poderia ser missionário, se nem ao menos conseguia andar um quarteirão sem sentir dor?

E difícil foi contar à garota com quem pretendia me casar, que eu repentinamente decidi ser missionário. Que espécie de vida seria a que eu ofereceria a ela? Trabalho árduo, salário baixo e talvez desagradáveis condições de vida em algum lugar distante.

A princípio Thile ficou emocionada com as coisas que estavam acontecendo comigo, mas à medida que as semanas se transformaram em meses, ela começou a ficar alarmada. "Você não precisa ficar tão abrasado, André", disse ela. "Você não acha que deve diminuir o ritmo um pouco? Leia alguns livros diferentes. Vá ao cinema de vez em quando."

Não me incomodei. Nada no mundo me interessava, exceto a incrível viagem de descobrimentos em que eu estava empenhado. De tempos em tempos, também, Thile perguntava se eu havia encontrado um emprego. Este era um problema mais sério. Naturalmente, enquanto eu não tivesse emprego, não poderia sugerir a ela o sonho que eu tivera havia muito tempo, para nós dois. Bem, eu iria tentar.

E algum tempo depois, após uma oração fervorosa, abrindo o meu coração com Deus, senti uma torcedura violenta na perna aleijada. Pensei aterrorizado que destroncara o tornozelo. Com cuidado, firmei o pé no chão. Vi que podia apoiar-me nele perfeitamente. Eu estava andando perfeitamente, estava curado! O que havia acontecido? Devagar, comecei a andar, e enquanto eu andava, um versículo da Escritura começou a vir à minha mente: "Indo eles, foram purificados".

E Deus me curou, me supriu. Ele nunca falhou. Lembrei-me emocionado de quando retornei à minha casa ao deixar o exército... "O cemitério estava banhado por um luar intenso, de lua cheia, e foi fácil encontrar o túmulo. Assentei-me no chão e disse as últimas palavras à minha mãe. ‘Voltei, mamãe’. Parecia natural conversar com ela. ‘Eu não li a Bíblia, mamãe. A princípio não, mas li depois’. Houve um longo silêncio. ‘Mamãe, o que é que vou fazer agora? Eu não posso andar cem metros sem que a dor me faça parar. Sinto-me tão inútil, mamãe. E culpado. Culpado pelo tipo de vida que levei durante a guerra. Responda-me, mamãe.’ Porém não houve resposta nenhuma."

Mas, agora, eu estava milagrosamente curado! Recordei-me também de que, um tempo depois disso uma coisa ainda mais esquisita aconteceu. Durante um período de descanso, eu estava folheando as revistas que nos eram dadas, quando, de repente, minha mão agarrou a Bíblia que eu conservava no criado-mudo, como recordação da minha mãe. Eu não a lera desde que voltara para a Holanda. Mas naquela tarde, repentinamente, comecei a ler, e para minha admiração, eu a compreendi. Todas as passagens que haviam parecido tão confusas, quando eu lutara com elas anteriormente, surgiam de repente como uma história de ação em ritmo trepidante. Deus estava trabalhando em cada detalhe...

...Primavera de 1955. Meus dois anos no colégio de Treinamento Missionário estavam quase terminando, e eu estava ansioso para começar o ministério. E então, certa manhã calmamente, sem estardalhaço, como na maioria das vezes é a operação de Deus - peguei uma revista, e a minha vida, desde então, nunca mais foi a mesma. Como ela chegou ali, jamais ficarei sabendo.

Peguei-a, e comecei a folheá-la. Era uma bela revista, com belas fotos. Muitas delas mostravam multidões de jovens desfilando pelas ruas de Pequim, Varsóvia e Praga. O texto, em inglês, me informava que aquelas pessoas faziam parte de uma organização mundial com noventa e seis milhões de membros. Em parte alguma a palavra "comunista" era usada, e a palavra "socialista" só aparecia ocasionalmente. O tema principal era um mundo melhor, um futuro brilhante. E então, no final, aparecia o anúncio de um festival da juventude que deveria ser realizado em Varsóvia, no mês de julho. Todos eram convidados.


Todos? Em vez de jogar a revista fora, naquela noite, sem ter ideia de onde aquilo me levaria, escrevi algumas linhas para o endereço de Varsóvia mencionado na revista. Disse-lhes francamente que estava estudando para ser um missionário evangélico, e que estava interessado em ir ao festival da juventude para trocar ideias: eu falaria a respeito de Cristo, e eles poderiam falar sobre o socialismo. Será que eles concordariam que eu fosse naquelas circunstâncias?
andrejovem
(Foto: Irmão André ainda jovem) #BRASIL

4/01/2013

Servir a Igreja Perseguida: um privilégio!


"Por esta causa [Igreja Perseguida] me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra." Efésios 3.14,15


Sou brasileiro, descendente de alemães, desde cedo meus pais me levaram à Igreja Batista alemã, onde encontrei Jesus. Este encontro deu à minha vida um novo rumo, pois passei a amá-lo e serví-lo de todo coração. Preciosos homens de Deus passaram pela minha vida, deixando marcas profundas e um sério compromisso com Deus e sua obra, principalmente relacionada a missões.
Sou casado com Irma, e já comemoramos nossas Bodas de Ouro com quatro filhos, nove netos e três bisnetos. Com o apoio de minha amada esposa e família, pude me envolver e me dedicar ao ministério; nosso desejo sempre foi o de socorrer e ajudar aos necessitados e levar o Evangelho àqueles que não conheciam a Jesus. E temos desses anos todos, muita história para contar...

Ávido leitor da "revistinha" (como eu chamava carinhosamente a Revista Portas Abertas), não me foi difícil aceitar o convite de Portas Abertas para integrar um grupo de sete irmãos para conhecer, servir e desafiar a Igreja em Moçambique, já passando por forte perseguição. Depois da aula teórica fomos separados para conhecer e servir às Igrejas e o seminário de Ricatla. Fiz uma escala em Beira, onde morava Valnice Milhomens Coelho e mais ao norte, Celso Prado. Aprendi muito e fui enriquecido de maneira especial, nesta viagem.

Pouco depois disso, um telefonema de Johan Companjen - fundador do ministério Portas Abertas, junto com o Irmão André - mudou e deu novo rumo à minha (nossa) vida: ‘precisamos que você vá para São Paulo e assuma interinamente* a direção da Portas Abertas’. Além de ser uma grande responsabilidade, isto também significava fazer uma ponte aérea Porto Alegre/SP todas as semanas, até que se estabelecesse um novo Secretário Geral, mas aceitamos o desafio!
Lembro-me, com carinho e saudades de alguns momentos marcantes neste período; um deles foi a visita do pastor Gerhard Hamm. Russo/germânico vindo da Sibéria, ele fora convidado para vir ao Brasil e eu deveria recebê-lo em São Paulo, para iniciar um "tour" de Belo Horizonte a Porto Alegre, a fim de traduzir suas mensagens do Alemão para o Português.

Ele pregava e cantava com sua voz de barítono e frequentemente eu tinha que interromper a tradução. Então ele formulava a frase de outra forma, mas eu lhe dizia, ainda com a voz embargada: Eu entendi pastor, mas preciso de uma pausa pra chorar... Assim foi por 21 dias, noite após noite, e muitas vezes durante o dia em seminários e escolas.
No ano seguinte Gerhard Hamm voltou ao Brasil para mais uma série marcante e inesquecível, e que foi para mim como um mestrado e doutorado em Missões e Igreja Perseguida, pois ele sabia TUDO sobre prisões (pois conhecera muitas por toda a União Soviética, onde estivera preso).

Outro episódio marcante se deu com o acidente de nosso filho mais novo, o querido Claus (Kiko), que sobrevivera a um afogamento com sérias sequelas, ficando em coma por semanas... período em que a dor e a presença de Deus foram tremendas. Nesses dias, o bálsamo de Deus veio na forma de uma visita encorajadora do Irmão André à nossa casa e escritório (ver foto). Foi a mão no ombro que Irma e eu precisávamos, e isto nos deixou mais fortes e preparados, pois experimentamos a suficiência de Deus em nossas vidas.
Em certa ocasião, foi uma viagem a Cuba: o sabor de prisão domiciliar no Hotel de Havana e ainda em outra ocasião a prisão e deportação junto com Pr. Bandeira, meu parceiro inesquecível, para Cancún (no México), e dali para Miami, onde nos esperava a equipe da Portas Abertas.                           

Fomos salvos, libertados e muito abençoados. O que me vem à mente e que dedicamos à querida equipe de Portas Abertas, bem como ao querido Marco Aurélio Cruz, é: fomos longe e alcançamos a muitos, "e ainda há muita terra para ser conquistada" Josué 13.1b (NVI) -- Siegfried e Irma*                     .         

Existem muitas pessoas que estão sentadas nos bancos das igrejas perguntando a si mesmas se foram chamadas para servir ou não. Que o testemunho de nossos irmãos possa desafiar o nosso coração, pois TODOS nós fomos chamados para servir! TODOS nós devemos nos envolver neste serviço! E isto é um grande privilégio!

* Siegfried Rudy Zilz foi Secretário Geral durante um ano, em 1986.
*O relato acima foi escrito por ele e por sua esposa Irma "a quatro mãos e um só coração"                                         .


Comemorando os 35 anos de Portas Abertas Brasil, temos muitas histórias para contar, e você parceiro pode enviar a sua história de envolvimento conosco e até fotos, através do falecom@portasabertas.org.br.



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Crônicas de um Contrabandista de Deus parte4/12


"Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer" Apocalipse 3.2


"Talvez você se pergunte, se uma igreja pode morrer. Infelizmente, ela pode extinguir-se em alguns lugares. A comunhão é um ingrediente essencial para o crescimento da Igreja.
Constantemente eu me recordava das palavras do pastor: ‘Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma só palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta’.

Eu nem conseguiria pregar um bom sermão, mas eu podia estar lá. E se estar lá era mais importante, eu decidi que a minha vida seria constituída de estar presente.
Mas, o que poderia fazer eu, uma pessoa só, sem fundos, sem patrocínio de alguma organização, contra uma força aparentemente invencível que parecia um gigante diante de mim? Como eu faria para consolidar qualquer coisa? Só Deus poderia fazer isso!

Voltei para casa, mas antes fui à Amsterdã visitar os Whetstra (um casal de irmãos que intercedia por mim e sempre me dava bons conselhos). Durante toda uma tarde contei-lhes como fora minha viagem e lhes falei, também, a respeito do versículo bíblico que me fora dado de forma tão estranha. Sobre como eu teria forças para fortalecer alguém.
‘E você não sabe que é exatamente quando estamos mais fracos que Deus pode nos usar melhor? Não é você, mas o Espírito Santo quem tem planos para o povo que vive detrás da ‘Cortina de Ferro’’ disse-me a Sra. Whetstra com uma convicção contagiante que me encheu de paz. 

Não passara nem uma semana desde o meu retorno para casa, quando os convites para falar sobre a viagem começaram a chegar e eu aceitei a todos... todos queriam saber como era a vida atrás da ‘Cortina de Ferro’.

‘Você precisa viajar mais’, disse-me uma jovem líder da delegação holandesa em Varsóvia. ‘Você ainda não viu o suficiente, precisa conhecer mais da necessidade desses líderes, para falar mais. Estou encarregada de escolher 15 pessoas da Holanda para ir à Tchecoslováquia, você quer ir?’ 

Retive a respiração. Seria a mão de Deus? Seria aquela a porta que se abriria a seguir, no seu segundo plano para mim? Decidi colocar a questão mais uma vez diante dEle, pois novamente eu não tinha recursos financeiros para ir. 
‘Se queres que eu vá, Senhor, tu precisarás suprir os meios’ orei de forma relâmpago. Respondi a ela que sentia muito, mas, eu não tinha possibilidades de fazer uma viagem dessas. Ela ficou me olhando e então me disse: ‘para você não haverá despesas’.
Assim começou a minha segunda viagem e, quatro semanas depois eu encontrei a resposta que buscava: Os cristãos tchecos precisavam de ajuda! Pois não havia Bíblias e nem hinários e o governo praticamente exercia controle total sobre a Igreja. Ser cristão era antipatriótico. Os cristãos eram demitidos de seus empregos, e sofriam humilhação. Não se podia usar a palavra ‘pregar’. ‘A gente precisa ser cuidadoso com as palavras, você pode nos trazer ‘saudações’ do Senhor’, disse-me Antonin, um jovem estudante de medicina que se tornou meu intérprete. Então, primeiro eu trouxe saudações da Holanda, depois do Ocidente e finalmente ‘saudações de Jesus Cristo’ à congregação.

Cada visita que fiz ali foi memorável, mas a última antes de voltar à Holanda foi inesquecível, pois, foi nela que recebi o cálice do sofrimento. ‘Bem, quero lhe dizer oficialmente, senhor, que não é mais bem-vindo aqui. Se tentar entrar neste país outra vez, vai descobrir isso por si mesmo. ’Disse-me um homem sinistro ao sair de um carro do governo que havia me seguido.

Lembrei-me do distintivo de lapela que recebi de Antonin. ‘Quando as pessoas perguntarem o que é isso, conte-lhes a nosso respeito, e faça-os lembrar de que somos parte do corpo e que estamos sofrendo dores; este é o símbolo da Igreja da Tchecoslováquia, significa o cálice do sofrimento.’
Se um membro sofre, todos sofrem com ele... pensei citando I Coríntios. O cálice do sofrimento era o símbolo de uma realidade da qual eu precisava participar. E agora, o que eu faria?"

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