4/02/2013

Crônicas de um Contrabandista de DEUS, parte 1/12


Embarque nesta viagem de 12 capítulos, mês a mês, conhecendo a emocionante história do Irmão André, um "agente secreto de Deus".
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Os desafios continuam e a Igreja do Senhor continua sendo perseguida em muitos lugares e é nosso papel nos envolvermos e ajudarmos.
Emoção é o que não falta neste relato recheado de fé, coragem, confiança em Deus e amor pela Igreja Perseguida. Uma história que também pode ser a sua, a minha...
"Desde a primeira vez em que calcei tamancos de madeira - nós os chamamos klompen, na Holanda - eu sonhava com feitos heróicos. Imaginava que era espião
em serviço na retaguarda do inimigo; que rastejava por debaixo de arame farpado, enquanto projéteis luminosos ardiam no ar, perto de mim.
Nós, garotos holandeses, utilizávamos os tamancos para lutar: qualquer menino que fosse atingido com um daqueles sapatos de madeira, o fôra apenas porque não pegara o seu próprio, suficientemente rápido. Eu era rápido, gostava de correr mas o tempo corria mais depressa do que eu...
"Está na hora de você escolher uma profissão, André" avisou meu pai, "no próximo outono eu quero saber a sua decisão". Debaixo dos suspiros de minha mãe, respondi meses depois: "Vou ingressar no exército".
Então, você vai em busca de aventuras? Perguntou-me um vizinho. Vou orar por você, André. Vou orar para que a aventura que você encontrar o satisfaça. Olhei para ele admirado. O que ele queria dizer com "aventura que satisfaça"? pensei, enquanto olhava para os campos planos que se estendiam a perder de vista em todas as direções.
Sei que nos dois anos seguintes, tornei-me famoso entre as tropas holandesas na Indonésia, por minhas loucas bravatas no campo de batalha. Quando lutávamos, lutávamos como doidos. Quando bebíamos, bebíamos até perder os sentidos. Quando eu acordava, depois daquelas orgias, ficava imaginando por que estaria agindo daquela maneira, mas a pergunta sempre ficava sem resposta.
E então, certa manhã, uma bala atingiu o meu tornozelo, e para mim a guerra acabou. Aconteceu tão repentinamente e, a princípio, foi tão indolor, que eu não sabia o que havia acontecido. Havíamos todos caído em uma emboscada. O  inimigo atacava de três lados, com uma força muitas vezes superior à nossa, e quando estava correndo, de repente caí. Eu sabia que não havia tropeçado, mas não podia me levantar.
Horas depois, fui levado para a mesa de operação em um hospital de campanha. Eles levaram duas horas e meia para costurar meu pé. Ouvi os médicos discutindo se deviam amputar ou não. Minha grande aventura fracassara. E o que era pior, eu estava com vinte anos, e descobrira que não havia nenhuma aventura verdadeira em parte alguma do mundo.
Então, em meio à manhã em setembro de 1949, estávamos sentados na cama, lendo e escrevendo cartas, depois dos exercícios matutinos, quando a enfermeira entrou, no quarto do hospital: "quero convidar vocês todos para participarem da reunião que teremos hoje à noite na tenda". Era um culto.
Ainda ecoa dentro de minha cabeça: Deixa o meu povo ir... deixa-me ir...' parece ser bobagem dizer que um simples hino que eu apenas ouvira, naquela noite e nem chegara a cantar poderia tornar-se uma oração, e que Deus poderia atendê-la. Nada no mundo me interessava, exceto a incrível viagem de descobrimentos em que eu estava empenhado."Amigos", disse o pastor, "esta noite, sinto que uma coisa muito especial vai acontecer nesta reunião. Há alguém no meio do auditório que deseja se entregar para o trabalho missionário."
Será que eu pretendia mesmo ser missionário ou aquilo era apenas um sonho romântico? Eu ouvira Sidney Wilson falar muitas vezes de "oração insistente". Com isso ele queria dizer orar até receber a resposta. Bem, eu iria tentar...
Orei durante toda aquela hora, e continuei durante o resto da tarde. Escureceu, e eu ainda não chegara ao ponto de ter a certeza de que descobrira o plano de Deus para minha vida. "O que é, Senhor? O que é que estou retendo? Qual a desculpa que estou dando para não te servir em qualquer coisa que queira que eu faça?"
E então, ali, finalmente encontrei a resposta. O meu "sim" para Deus sempre fora um "sim, mas..." Sim, mas não tenho cultura. Sim, mas sou aleijado.
Com todo o coração, eu disse "Sim". Pronunciei-o de forma completamente diferente, sem restrições.
"Eu irei, Senhor", disse eu, "não importa como. Quando quiseres, aonde quiseres, como quiseres, eu irei. E começarei neste momento. Senhor, quando eu me levantar deste lugar, quando eu der o primeiro passo, considere que é um passo em direção à completa obediência a Ti.
De volta ao lar, já não podendo servir ao exército, não conseguia parar de pensar na decisão que tomara. Dentro de mim, uma pequena voz parecia dizer: "Vá!" Era a voz que havia me chamado no vento, a voz que nunca fazia sentido em termos de lógica. Era a voz do Espírito Santo de Deus!
Até que certa manhã, apertei a mão de papai, e corri para a estrada, para pegar o ônibus e começar a primeira parte de uma viagem que continua até hoje."
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(Foto: No centro, o jovem soldado André, na Indonésia, 1947)
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(Foto: André com seu macaco de estimação (Kees), 1948, Indonésia)
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(Foto: André (à direita) e outros pacientes, também na Indonésia, 1949)

4/01/2013

Servir a Igreja Perseguida: um privilégio!


"Por esta causa [Igreja Perseguida] me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto no céu como sobre a terra." Efésios 3.14,15


Sou brasileiro, descendente de alemães, desde cedo meus pais me levaram à Igreja Batista alemã, onde encontrei Jesus. Este encontro deu à minha vida um novo rumo, pois passei a amá-lo e serví-lo de todo coração. Preciosos homens de Deus passaram pela minha vida, deixando marcas profundas e um sério compromisso com Deus e sua obra, principalmente relacionada a missões.
Sou casado com Irma, e já comemoramos nossas Bodas de Ouro com quatro filhos, nove netos e três bisnetos. Com o apoio de minha amada esposa e família, pude me envolver e me dedicar ao ministério; nosso desejo sempre foi o de socorrer e ajudar aos necessitados e levar o Evangelho àqueles que não conheciam a Jesus. E temos desses anos todos, muita história para contar...

Ávido leitor da "revistinha" (como eu chamava carinhosamente a Revista Portas Abertas), não me foi difícil aceitar o convite de Portas Abertas para integrar um grupo de sete irmãos para conhecer, servir e desafiar a Igreja em Moçambique, já passando por forte perseguição. Depois da aula teórica fomos separados para conhecer e servir às Igrejas e o seminário de Ricatla. Fiz uma escala em Beira, onde morava Valnice Milhomens Coelho e mais ao norte, Celso Prado. Aprendi muito e fui enriquecido de maneira especial, nesta viagem.

Pouco depois disso, um telefonema de Johan Companjen - fundador do ministério Portas Abertas, junto com o Irmão André - mudou e deu novo rumo à minha (nossa) vida: ‘precisamos que você vá para São Paulo e assuma interinamente* a direção da Portas Abertas’. Além de ser uma grande responsabilidade, isto também significava fazer uma ponte aérea Porto Alegre/SP todas as semanas, até que se estabelecesse um novo Secretário Geral, mas aceitamos o desafio!
Lembro-me, com carinho e saudades de alguns momentos marcantes neste período; um deles foi a visita do pastor Gerhard Hamm. Russo/germânico vindo da Sibéria, ele fora convidado para vir ao Brasil e eu deveria recebê-lo em São Paulo, para iniciar um "tour" de Belo Horizonte a Porto Alegre, a fim de traduzir suas mensagens do Alemão para o Português.

Ele pregava e cantava com sua voz de barítono e frequentemente eu tinha que interromper a tradução. Então ele formulava a frase de outra forma, mas eu lhe dizia, ainda com a voz embargada: Eu entendi pastor, mas preciso de uma pausa pra chorar... Assim foi por 21 dias, noite após noite, e muitas vezes durante o dia em seminários e escolas.
No ano seguinte Gerhard Hamm voltou ao Brasil para mais uma série marcante e inesquecível, e que foi para mim como um mestrado e doutorado em Missões e Igreja Perseguida, pois ele sabia TUDO sobre prisões (pois conhecera muitas por toda a União Soviética, onde estivera preso).

Outro episódio marcante se deu com o acidente de nosso filho mais novo, o querido Claus (Kiko), que sobrevivera a um afogamento com sérias sequelas, ficando em coma por semanas... período em que a dor e a presença de Deus foram tremendas. Nesses dias, o bálsamo de Deus veio na forma de uma visita encorajadora do Irmão André à nossa casa e escritório (ver foto). Foi a mão no ombro que Irma e eu precisávamos, e isto nos deixou mais fortes e preparados, pois experimentamos a suficiência de Deus em nossas vidas.
Em certa ocasião, foi uma viagem a Cuba: o sabor de prisão domiciliar no Hotel de Havana e ainda em outra ocasião a prisão e deportação junto com Pr. Bandeira, meu parceiro inesquecível, para Cancún (no México), e dali para Miami, onde nos esperava a equipe da Portas Abertas.                           

Fomos salvos, libertados e muito abençoados. O que me vem à mente e que dedicamos à querida equipe de Portas Abertas, bem como ao querido Marco Aurélio Cruz, é: fomos longe e alcançamos a muitos, "e ainda há muita terra para ser conquistada" Josué 13.1b (NVI) -- Siegfried e Irma*                     .         

Existem muitas pessoas que estão sentadas nos bancos das igrejas perguntando a si mesmas se foram chamadas para servir ou não. Que o testemunho de nossos irmãos possa desafiar o nosso coração, pois TODOS nós fomos chamados para servir! TODOS nós devemos nos envolver neste serviço! E isto é um grande privilégio!

* Siegfried Rudy Zilz foi Secretário Geral durante um ano, em 1986.
*O relato acima foi escrito por ele e por sua esposa Irma "a quatro mãos e um só coração"                                         .


Comemorando os 35 anos de Portas Abertas Brasil, temos muitas histórias para contar, e você parceiro pode enviar a sua história de envolvimento conosco e até fotos, através do falecom@portasabertas.org.br.



#BRASIL

TUDO VEM NO MOMENTO CERTO

                                                           
Tudo vem no momento certo...

É impressionante como Deus fala com a gente quando a gente mais precisa.
Foi difícil decidir para quem enviar, pois todos querem oração, mas nem todos fazem oração. Espero ter escolhido as pessoas corretas. Por favor, me retorne esta mensagem (você verá porque). Que todos os que a receberem sejam abençoados. Lembre-se de orar. É tudo que tens a fazer. Não há nenhum arquivo anexo. Somente envie. Orar é um dos melhores presentes gratuitos que recebemos. Não há nenhum custo,
somente recompensa. Garanta que irá orar, e ore acreditando que DEUS responderá..
"Que hoje se realize tudo o que você quer. Que a paz de DEUS e o frescor do ESPÍRITO SANTO estejam em seus pensamentos, dominem a noite em seus sonhos e estejam sobre todos os seus medos. Que DEUS se manifeste de uma maneira jamais experimentada por você. Que seus desejos sejam atendidos, inclusive seus sonhos mais íntimos e suas orações sejam respondidos. Minha oração é para que você tenha FÉ.
Minha oração é para que seus espaços sejam aumentados, minha oração é pela paz, cura, saúde, felicidade, prosperidade, alegria e um verdadeiro e eterno amor a DEUS.' Agora envie isso para seus amigos íntimos, me incluindo, VC verá pq. Adorei ter recebido.
Espero que vc sinta o mesmo!"


 -- 
Testemunhe as nações pelo poder do Espírito até os confins da terra.

Crônicas de um Contrabandista de Deus parte4/12


"Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer" Apocalipse 3.2


"Talvez você se pergunte, se uma igreja pode morrer. Infelizmente, ela pode extinguir-se em alguns lugares. A comunhão é um ingrediente essencial para o crescimento da Igreja.
Constantemente eu me recordava das palavras do pastor: ‘Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma só palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes nos sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta’.

Eu nem conseguiria pregar um bom sermão, mas eu podia estar lá. E se estar lá era mais importante, eu decidi que a minha vida seria constituída de estar presente.
Mas, o que poderia fazer eu, uma pessoa só, sem fundos, sem patrocínio de alguma organização, contra uma força aparentemente invencível que parecia um gigante diante de mim? Como eu faria para consolidar qualquer coisa? Só Deus poderia fazer isso!

Voltei para casa, mas antes fui à Amsterdã visitar os Whetstra (um casal de irmãos que intercedia por mim e sempre me dava bons conselhos). Durante toda uma tarde contei-lhes como fora minha viagem e lhes falei, também, a respeito do versículo bíblico que me fora dado de forma tão estranha. Sobre como eu teria forças para fortalecer alguém.
‘E você não sabe que é exatamente quando estamos mais fracos que Deus pode nos usar melhor? Não é você, mas o Espírito Santo quem tem planos para o povo que vive detrás da ‘Cortina de Ferro’’ disse-me a Sra. Whetstra com uma convicção contagiante que me encheu de paz. 

Não passara nem uma semana desde o meu retorno para casa, quando os convites para falar sobre a viagem começaram a chegar e eu aceitei a todos... todos queriam saber como era a vida atrás da ‘Cortina de Ferro’.

‘Você precisa viajar mais’, disse-me uma jovem líder da delegação holandesa em Varsóvia. ‘Você ainda não viu o suficiente, precisa conhecer mais da necessidade desses líderes, para falar mais. Estou encarregada de escolher 15 pessoas da Holanda para ir à Tchecoslováquia, você quer ir?’ 

Retive a respiração. Seria a mão de Deus? Seria aquela a porta que se abriria a seguir, no seu segundo plano para mim? Decidi colocar a questão mais uma vez diante dEle, pois novamente eu não tinha recursos financeiros para ir. 
‘Se queres que eu vá, Senhor, tu precisarás suprir os meios’ orei de forma relâmpago. Respondi a ela que sentia muito, mas, eu não tinha possibilidades de fazer uma viagem dessas. Ela ficou me olhando e então me disse: ‘para você não haverá despesas’.
Assim começou a minha segunda viagem e, quatro semanas depois eu encontrei a resposta que buscava: Os cristãos tchecos precisavam de ajuda! Pois não havia Bíblias e nem hinários e o governo praticamente exercia controle total sobre a Igreja. Ser cristão era antipatriótico. Os cristãos eram demitidos de seus empregos, e sofriam humilhação. Não se podia usar a palavra ‘pregar’. ‘A gente precisa ser cuidadoso com as palavras, você pode nos trazer ‘saudações’ do Senhor’, disse-me Antonin, um jovem estudante de medicina que se tornou meu intérprete. Então, primeiro eu trouxe saudações da Holanda, depois do Ocidente e finalmente ‘saudações de Jesus Cristo’ à congregação.

Cada visita que fiz ali foi memorável, mas a última antes de voltar à Holanda foi inesquecível, pois, foi nela que recebi o cálice do sofrimento. ‘Bem, quero lhe dizer oficialmente, senhor, que não é mais bem-vindo aqui. Se tentar entrar neste país outra vez, vai descobrir isso por si mesmo. ’Disse-me um homem sinistro ao sair de um carro do governo que havia me seguido.

Lembrei-me do distintivo de lapela que recebi de Antonin. ‘Quando as pessoas perguntarem o que é isso, conte-lhes a nosso respeito, e faça-os lembrar de que somos parte do corpo e que estamos sofrendo dores; este é o símbolo da Igreja da Tchecoslováquia, significa o cálice do sofrimento.’
Se um membro sofre, todos sofrem com ele... pensei citando I Coríntios. O cálice do sofrimento era o símbolo de uma realidade da qual eu precisava participar. E agora, o que eu faria?"

 #BRASIL