4/06/2013

Fraude na internet, casos de golpe usados em email.

Uma reportagem extraída da Revista Super Interessante
Licença Comum Criação, sem fins lucrativo, de Felipe Van Deursen

 G0LP3S N4 1NT3RN3T Dos 150 bilhões de e-mails enviados no mundo a cada dia, 90% são spam - lixo eletrônico. A maior parte dos spams tenta vender alguma coisa, como cursos, remédios ou aparelhos para aumentar o pênis. Outros tentam plantar vírus no seu computador (são as mensagens que dizem "clique aqui para ver nossas fotos de ontem" ou algo parecido). Você provavelmente já recebeu mensagens assim. Mas também existe um outro tipo de spam: os golpes virtuais. Eles não trazem vírus nem tentam vender produtos. Pelo contrário, oferecem a você a chance de ganhar muito dinheiro - geralmente vindo de algum milionário, que precisa da sua ajuda para liberar uma fortuna retida em bancos africanos ou do Oriente Médio. E há quem caia nisso - existem diversos casos de pessoas que perderam todas as suas economias nesses golpes.

Mas como os bandidos conseguem convencer as vítimas? Como o golpe funciona? Para descobrir, criei uma conta de e-mail usando um nome fictício - Henri W. Arthur, muito prazer - e, ao longo de 12 semanas, respondi a todos os golpes que chegavam à minha caixa postal. "Sim! Estou muito interessado", eu dizia, me fazendo de idiota. Três dos golpistas morderam a isca, dando início a histórias absolutamente surreais - que envolveram negócios no Iraque, em Dubai e Hong Kong e até uma garota sequestrada na Europa. 


HONG KONG: A FORTUNA DO GENERAL IRAQUIANO
"Eu me chamo Wong Chu e tenho uma proposta de negócio de US$ 30,5 milhões que é mutuamente vantajosa. Para maiores informações, contate-me em wongchu34@yahoo.com.hk." Era isso que dizia o e-mail que poderia mudar minha vida. Respondi no ato e recebi uma mensagem dois dias depois. Me chamando de "amigo", Wong se disse diretor do DBS Hong Kong, um dos maiores bancos da Ásia. Segundo ele, eu teria direito a 40% do dinheiro, ou US$ 12,2 milhões. Como? "Nosso cliente, o general Zaiki Taha Abdel, veterano das Forças Armadas do Iraque e também homem de negócios, fez um depósito de US$ 30,5 milhões. Depois descobrimos que o general e sua família foram vítimas de um atentado. Ele não mencionou nenhum herdeiro em seu testamento", contou Wong. "Se ninguém se manifestar, esse dinheiro vai para o governo." A proposta era fazer de mim o herdeiro legal do militar. "Não há riscos. Só preciso da sua cooperação." Mas por que fui eu o escolhido, afinal? Wong só dizia que "o destino te abençoou ao colocá-lo no centro da minha vida". Então tá.

Respondi enviando os dados solicitados: nome, endereço, telefone, idade e profissão. Tudo inventado, claro - decidi que meu personagem, Henri, seria um jovem filho de empresários europeus. No e-mail seguinte, Wong disse estar com tudo pronto. "Só peço que me mande uma cópia do seu passaporte, a fim de termos mais confiança um no outro. Meu advogado cuidará de apresentar você ao banco." O chinês dizia que era importante ser discreto no momento da transferência da grana. "Qualquer transação internacional é rigidamente monitorada desde aquele caso (os atentados) de 11 de setembro nos EUA." Anexado, como prova de sua existência, um passaporte: Wong Chu, cidadão da República Popular da China, 46 anos. Superfalso, claro. Um rastreamento feito por um perito, que usou softwares de análise de rede, apontou que Wong não era chinês coisíssima nenhuma. Na verdade, seus e-mails vinham de um computador nos EUA. 

Resolvi dar mais corda. Fiz um passaporte de mentira no Photoshop. Mas cometi o deslize de errar na idade. No passaporte, Henri é 28 anos mais velho do que eu havia dito a Wong. O chinês nem percebeu - ou não deu a mínima. Mandou mais um e-mail no qual revelava onde a porca iria torcer o rabo: "O senhor terá de assumir os custos da abertura da conta". Ahá. Para me convencer, Wong mandou o atestado de óbito do general iraquiano e o comprovante do depósito milionário que supostamente teria feito. Esse comprovante trazia um número de telefone, que em tese seria da agência do banco. A agência realmente existia, mas o número era falso. 

Recebi novas instruções: eu deveria entrar em contato com Marshall Brodericks, do Natwest Online Bank, no Reino Unido. Por que outro banco, e em outro país? Escrevi a Marshall, que me passou as instruções. Eu teria de fazer dois pagamentos: um de 1 865 libras esterlinas em nome de James Mills, e outro para Javier Carlos (1 860 libras), ambos residentes em Londres. Fiz a transferência, mas me confundi no valor: mandei apenas 50 libras. Ops. Espero que entendam como um "sinal". Não foi o que houve. O chinês Wong e o inglês Marshall enviaram uma avalanche de mais de 40 e-mails solicitando a transferência do valor integral. Então enviei um outro comprovante, devidamente manipulado no Photoshop. No entanto, o arquivo que usei como modelo trazia uma marca-d’água com a palavra scam ("golpe", em inglês). Marshall não aceitou o documento, e questionou o termo. Inventei que se tratava de uma palavra do português arcaico, nome do meu banco. Foi o suficiente para ele perder as estribeiras. "Henri, o senhor está brincando. O comprovante é falso. Só fez o Sr. Wong perder seu precioso tempo. Estou muito desapontado." O digníssimo Wong também foi ríspido: "Poderia me explicar por que o senhor armou para cima de mim?" Foi o fim do sonho de me tornar milionário pela internet. Pelo menos me diverti às custas dos golpistas.

GALES: SOCORRO! ESTOU PRESA AQUI NO HOTEL
A mensagem veio num português capenga, que parecia gerado no tradutor do Google. "Viajei para um programa de emergência de investigação [?] no País de Gales e minhas malas e meu dinheiro foram roubados", dizia a desesperada Caroline Godoy d’Essen. Ela me pedia um empréstimo de 1 400 libras esterlinas (cerca de R$ 4 mil), que prometia devolver logo que conseguisse voltar para casa. Também informava o endereço do hotel onde supostamente estava retida - North Parade, 17, condado de Llandudno, País de Gales. Coitadinha. Respondi pedindo mais informações sobre a situação. Enquanto não recebia uma resposta, chequei no Google Maps o tal endereço. Era realmente um hotel: o elegante Osborne House, com diárias a partir de 145 libras. 

No dia seguinte Caroline escreveu, em inglês, dizendo que estava em maus lençóis. "Preciso sair daqui o mais rápido possível, me responda para eu saber se poderei contar com sua ajuda." Eu disse que realmente queria ajudar, mas precisava de provas. Afinal, não queria ser vítima de um golpe na internet (he he). Pedi que ela enviasse uma foto ou o telefone do hotel. Caroline me passou o número do hotel por e-mail, e pediu com impaciência: "Quando é que você vai me ajudar?" Anexada à mensagem, uma foto dela. O caso está começando a esquentar.

Liguei para o número de telefone, mas o recepcionista informou que a sra. Caroline não se encontrava. Deixei recado e resolvi checar o número. Foi aí que percebi: o telefone que Carol havia me passado não era o mesmo do hotel. Estranho. Na mesma tarde, ela me escreveu dizendo que recebera o recado. "Resolveu me ajudar? Não me deixe sozinha nessa, preciso muito de você agora." 

Um dia depois, o e-mail do Yahoo que ela vinha usando na conversa foi substituído por um Gmail. "Henri, meu e-mail foi invadido por hackers que estão tentando arrancar dinheiro dos meus parentes e amigos. Espero que você não tenha enviado nada." Hã? Seria mais um truque para me confundir? O que estariam querendo agora? 

Digitei "Caroline d’Essen" no Google e me surpreendi com o que achei. Era uma jornalista, com colaborações para alguns sites e publicações da Holanda e do Brasil - entre elas a SUPER! Escrevi um e-mail cheio de perguntas em português, querendo saber se ela era jornalista, o que tinha acontecido etc. Desconfiada, ela respondeu em inglês, querendo saber de onde nos conhecíamos. Nosso link em comum era justamente a revista: Caroline, que mora na Europa, tinha o hábito de mandar reportagens de lá e se corresponder com os editores da SUPER. E, por isso, estava copiada em mensagens nas quais o meu e-mail também aparecia. Foi assim que os hackers me acharam. Mundo pequeno. 

Esclarecida a situação, Caroline contou como os golpistas invadiram sua conta de e-mail. "Eu recebi um e-mail do Yahoo dizendo que precisavam recadastrar os usuários. Eles pediram meu login e senha, alegando que eu perderia o acesso ao e-mail se não me recadastrasse." Ela caiu no golpe e digitou a senha num site falso - que parecia o Yahoo, mas pertencia aos hackers. Pronto: com acesso à conta de e-mail, eles começaram a se passar por ela e enviar as mensagens. A foto usada pelos bandidos não era de Caroline, mas de uma amiga dela (e estava num e-mail que ela tinha recebido e guardado). 

Caroline, que nunca foi ao País de Gales, ficou sabendo do golpe depois que começou a receber ligações de amigos e parentes preocupados. "Fiquei superestressada, ligando para bancos e mudando todas as minhas senhas", conta. A única coisa que ela conseguiu descobrir sobre os ladrões é que, supostamente, eles agiram de um computador localizado na Nigéria. Já segundo o especialista em segurança Mariano Miranda, que analisou os e-mails, eles foram enviados de Ebene, Ilhas Maurício. Mas é provável que a verdadeira localização dos golpistas não seja nenhuma dessas duas - existem ferramentas que permitem camuflar, com facilidade, a localização eletrônica de qualquer computador.

Passado o tumulto em sua vida, Caroline voltou a usar a internet normalmente. Enquanto isso, eu continuo respondendo spams. Vamos ao próximo. 

"Resolveu me ajudar? Não me deixe sozinha nessa. Preciso muito de você agora."
Mensagem de Carol, que precisava de dinheiro para escapar.


DUBAI: O MAGNATA DAS ESCOVAS DE DENTES
Uma mensagem perdida na minha caixa de spam trazia um título pomposo: Equity Investment Portfolio, ou portfólio de investimentos em valor. O remetente era ninguém menos do que Sua Excelência Ahmad Humaid al Tayer, diretor do Centro Financeiro Internacional de Dubai (DIFC). O DIFC existe de verdade, e Humaid também - assumiu o cargo em novembro de 2009, o que foi bastante noticiado pela imprensa árabe. 

Mas seu e-mail imediatamente despertou suspeitas. Humaid se dirigia a mim com uma informalidade incomum, que não combina com as transações financeiras de verdade - a mensagem começava com um simpático greetings ("saudações"). "Desejamos investir em homens de negócio e empresas com boas ideias. O fundo será desembolsado com base em um empréstimo com taxa de juros de 4,5% anuais." Uma pessoa que não me conhece quer emprestar dinheiro, e a uma taxa de juros abaixo do mercado. Estranho.

Como demorei para ver a mensagem, respondi com 5 meses de atraso. Mas Humaid não se importou. Pelo contrário. Respondeu bem depressa, todo empolgado. "Aprecio sua resposta imediata, sua determinação e coragem em cooperar conosco." "Os negócios aqui são bem diferentes dos do mundo ocidental. Somos bastante rigorosos." 

Para que eu fosse aceito, deveria abrir uma empresa nos Emirados Árabes. O e-mail também trazia um arquivo anexado: um contrato de parceria, com o logo do DIFC e aspecto convincente. "Ele segue os padrões de um contrato. Descreve as partes envolvidas, o objeto da negociação, remuneração, local, obrigações e causas de rescisão", avalia a advogada Cibelle Demattio. Pedi que Humaid me apresentasse alguns exemplos de parcerias bem-sucedidas, a fim de me deixar mais seguro. Ele respondeu dois dias depois, fugindo da raia. "Estou viajando, em um compromisso aqui no Reino Unido", disse. Mentira. Uma perícia revelou que a mensagem usava um endereço eletrônico das Ilhas Maurício. Humaid provavelmente também não estava lá; só tinha forjado essa informação para dificultar sua localização pela polícia. 

Assinei o contrato e devolvi a Humaid. Oito horas depois, ele mandou um novo arquivo, que pedia informações minuciosas da minha empresa. Foi então que inventei a Cerda Verde. Apesar do nome infeliz, ela tinha uma premissa boa: fabricar escovas de dentes sustentáveis, cujas cerdas pudessem ser trocadas (evitando que as pessoas jogassem os cabos no lixo sem necessidade). Para criar números e dados verossímeis, tive a ajuda de um contador. Preenchi todos os 53 dados solicitados, como vendas, capital líquido e número de funcionários, e enviei o documento. Alea jacta est. "Caro Henri Arthur", respondeu Humaid. "Após a reunião de nosso conselho ontem às 14h45, é de seu interesse saber que sua proposta foi aprovada." "Aconselho o senhor a fazer negócios na Zona Franca de Ajman [um menor e bem menos badalado emirado do país], por suas condições fiscais. Procure o Dr. Kennedy Mamud, na corretora Kennedy Mamud, cujo e-mail é kennedymamud@mail2finance.com." 

Enviei 4 mensagens ao tal Kennedy, que só respondeu várias semanas depois. Ele descrevia os tipos de licença que poderia me vender, fazendo uma cansativa propaganda das vantagens de Ajman (onde há menos burocracia). E pedia US$ 4 500. 

Se você fizer uma busca na internet, encontrará os nomes dos dois em fóruns antifraude. Kennedy não existe, e Humaid é apenas um golpista que se passa pelo verdadeiro diretor do DIFC. Mandei um e-mail perguntando, delicadamente, sobre isso. Eles não só negaram tudo como julgaram válida e pertinente minha preocupação. "Sua suspeita é bem-vinda (...) mas este gabinete está acima de golpes desse nível. Não temos nada a ver com esses links." Depois disso, meus amigos árabes simplesmente sumiram. 

E eu continuo pobre, à espera de um e-mail que me torne rico - ou que pelo menos me ajude a lançar as revolucionárias escovas Cerda Verde. 

"Os negócios aqui são bem diferentes dos do Ocidente. Nós somos bastante rigorosos."
Mensagem enviada por Sua Excelência Ahmad Humaid al Tayer, diretor de um centro financeiro em Dubai. Ele queria me emprestar dinheiro. 
Golpes são mais diretos - mas igualmente perigosos 
E no Brasil? Você já deve ter recebido e-mails em que o seu banco pede um recadastramento ou a instalação de algum software. São falsos, e têm sempre o mesmo resultado: se você cair no golpe, suas informações bancárias vão parar nas mãos de bandidos. No Brasil, esse é o principal tipo de golpe virtual - que os nossos hackers preferem por ser mais rápido. "Vai direto ao assunto", diz Fuz1ler0*, 18 anos, que diz faturar até R$ 20 mil em cada um de seus golpes. "No começo do ano lançamos uma ‘promoção’ da Visa que prometia viagem para a copa. O cara ia para um site falso, dava os dados do cartão de crédito. Em uma semana e meia, pegamos 120 pessoas."

*Nome de guerra

Agradecimentos Fioravante Souza e David Perry (Trend Micro), José Matias Neto (McAfee), Mariano Miranda (Winco / AVG) e Celso Ricardo Valentim, economista e professor da Univille. #BRASIL

Golpe por email - Anton Shakirov Afeganistão.

acabei de receber um email todo em inglês.
Prometendo dinheiro e pedindo minha ajuda. 
Cuidado, não caia nessa conversa de bandido. Isto é um golpe aplicado por uma quadrilha na Nigéria. Crime de Estelionato. 
segui abaixo o email e a tradução para o português, 


De: Anton Shakirov (fengxiaojie001@hotmail.com)
Enviada: domingo, 31 de março de 2013 07:02:32
Para:
Assunto:  Get back to me.‏


Hello,

It is a matter of urgency and great importance that i have to contact you,because i believe we can partner together in this
transaction to achieve success.

I am an Army General attached with the U.S Military force in Afhganistan. I believe you will maintain the trust and confidence of
what i am about to reveal to you. I have now in my possession the sum of $3.5 million USD, which I got from one

of our raids few days ago. This box of money is now hidden in a safe and untraceable location. I DESPERATELY need a ? RELIABLE and
TRUSTWORTHY? person like you who would receive, secure and safe guard this box containing the U.S dollars for me until i complete my
assignment here in Afghanistan.

This box cannot be left were  kept it as there are increasing insecurity and uncertainties as the days go by.I am willing to give
you 30% of the total sum as soon as you receive the box while 70% shall be kept for me until I complete my service here Afghanistan.

Once again, I confide strictly in you and appeal that you keep this as a secret between you and myself alone so that I do not lose my
job.looking forward to reading from you soonest.


Regards,
Anton Shakirov

------Tradução para o português -----

Olá,

É uma questão de urgência e de grande importância que eu tenho para contatá-lo, porque eu acredito que podemos parceiro juntos neste
transação para alcançar o sucesso.

Sou um General do Exército ligado com a força militar dos EUA no Afhganistan. Eu acredito que você vai manter a confiança dos
o que eu estou prestes a revelar a você. Eu tenho agora em minha posse a soma de US $ 3,5 milhões de dólares, o que eu tenho de uma

de nossos ataques alguns dias atrás. Esta caixa de dinheiro está escondida em um local seguro e rastreável. Eu preciso desesperadamente de um? fiável e
CONFIANÇA? pessoa como você, que iria receber, guarda segura e segura esta caixa contendo os dólares para mim até eu completar meu
atribuição aqui no Afeganistão.

Esta caixa não pode ser deixado foram mantidos como há cada vez mais insegurança e incertezas como os dias vão by.I estou disposto a dar
lhe 30% da soma total assim que receber a caixa, enquanto 70% devem ser mantidos para mim até eu completar meu serviço aqui no Afeganistão.

Mais uma vez, eu confio em você e estritamente apelar que manter isso como um segredo entre você e eu, sozinho, para que eu não perca o meu job. looking a frente a ler mais logo de você.


Atenciosamente,
Anton Shakirov

OBS: denúncia estas mensagens como pushing. 




#BRASIL

4/02/2013

As suas palavras fazem toda a diferença


"Sempre damos graças a Deus por todos vocês, mencionando-os em nossas orações. Lembramos continuamente, diante de nosso Deus e pai, o que vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo." 1 Tessalonicenses 1.2-3

Você se lembra da história do pastor Tohar Haydarov, do Uzbequistão?
Impossibilitado, muitas vezes, de visitar as igrejas que fundara, ora por conta das longas distâncias que teria de percorrer, ora por causa da urgência de compartilhar o evangelho de Cristo em outras regiões, ou por estar preso, o apóstolo Paulo procurava se comunicar com os irmãos da Igreja Primitiva por meio de cartas. Ao ler as cartas paulinas percebemos que elas tinham, pelo menos, três objetivos principais: fortalecer, exortar e instruir os cristãos na fé.


Impossibilitado, muitas vezes, de visitar as igrejas que fundara, ora por conta das longas distâncias que teria de percorrer, ora por causa da urgência de compartilhar o evangelho de Cristo em outras regiões, ou por estar preso, o apóstolo Paulo procurava se comunicar com os irmãos da Igreja Primitiva por meio de cartas. Ao ler as cartas paulinas percebemos que elas tinham, pelo menos, três objetivos principais: fortalecer, exortar e instruir os cristãos na fé.


A Portas Abertas está organizando uma campanha de cartas para o pastor Tohar, assim como fez a outros irmãos que estiveram ou ainda estão presos e que por meio das cartas de milhares de pessoas puderam sentir o conforto e consolo de Deus no tempo da angústia.
A Portas Abertas está organizando uma campanha de cartas para o pastor Tohar, assim como fez a outros irmãos que estiveram ou ainda estão presos e que por meio das cartas de milhares de pessoas puderam sentir o conforto e consolo de Deus no tempo da angústia. 

Tohar.jpg
Por meio desse verso de 1Tessalonicenses, o apóstolo Paulo procura trazer à memoria dos irmãos da cidade de Tessalônica, que passavam por severa perseguição, a importância que eles tinham para ele (Paulo).
Mesmo em meio a tantos desafios e problemas enfrentados por Paulo durante sua jornada de pregação do evangelho, ele fazia questão de separar um momento do seu dia para escrever, com os próprios punhos, cartas a todos os seus irmãos na fé.
Paulo conhecia as necessidades daqueles irmãos, só não imaginava que, mais de dois mil anos depois, essas cartas continuariam sendo fonte de bênção e inspiração para a Igreja de Cristo.
O jovem pastor Tohar foi preso em janeiro de 2010 (então com 27 anos de idade) sob a acusação de posse e tráfico de drogas. De acordo com testemunhas, Tohar foi preso e levado à delegacia; ali, policiais o interrogaram e o pressionaram para que renunciasse sua fé. Quando ele se recusou a fazer o que pediam, eles plantaram drogas em seu
bolso e confiscaram as chaves de sua casa. Após uma revista policial na casa do pastor,supostamente mais drogas foram encontradas. Tohar foi agredido e forçado a assinar alguns papéis. Dois meses depois, Tohar foi condenado a 10 anos de prisão. Os irmãos de sua igreja foram proibidos de testemunhar a seu favor no tribunal.
Saiba mais clicando aqui!

#BRASIL

Crônicas de um Contrabandista de Deus parte 3/12

"O trem para Varsóvia saía de Amsterdã em 15 de julho de 1955. Fiquei admirado com o grande número de estudantes que fora atraído pelo festival. Centenas de moços e moças aglomeravam-se na estação. Pela primeira vez, comecei a crer nos números exagerados que lera na revista. Sentia-me muito sozinho. Eu não conhecia uma só pessoa em toda a Polônia e não sabia uma palavra sequer do idioma. De todos os quadrantes do mundo, milhares e milhares de jovens estavam convergindo para Varsóvia, com propósitos exatamente opostos aos meus.

Os jornais da Holanda publicaram tantas notícias a respeito da prisão dos líderes eclesiásticos da igreja polonesa e do fechamento de seminários, que eu tinha a impressão de que religião na Polônia era uma atividade clandestina.

Aparentemente, a livraria evangélica que eu visitara estava funcionando, apesar de não ter Bíblias. Eu passara por igrejas católicas cujas portas estavam bem abertas. Será que havia igrejas protestantes também funcionando? Resolvi verificar por mim mesmo.
De táxi, dez minutos depois, eu estava assistindo a um culto numa Igreja Reformada, atrás da "Cortina de Ferro". Fiquei surpreso com o tamanho da congregação; a igreja se encontrava com cerca de 3/4 dos bancos cheios. Fiquei surpreso, também, com o número de jovens. O cântico dos hinos era entusiástico, o sermão aparentemente centralizado nas Escrituras. Depois que a maior parte da congregação havia saído, o pastor e alguns jovens dispuseram-se a conversar comigo. Sim, eles cultuavam abertamente, e com considerável liberdade, enquanto se mantivessem longe dos assuntos políticos. Sim, havia membros da igreja que também eram membros do Partido Comunista. "Bem, o regime faz tanto pelo povo, que agente apenas fecha os olhos quanto ao resto", disse o pastor, encolhendo os ombros, "mas o que é que a gente pode fazer?"

Naquela mesma noite, fui conhecer outra igreja que me indicaram. O culto já começara quando cheguei. O número de pessoas era menor. O povo já não era tão bem vestido quanto o outro, e quase não havia jovens. Mas aconteceu uma coisa interessante. Haviam dado ao pastor a notícia de que havia um estrangeiro na congregação, e imediatamente fui convidado a falar-lhes. Fiquei alarmado. Seráque eles tinham tanta liberdade assim? E ali estava eu, um crente do outro lado do mundo, pregando o evangelho em um país comunista.

Ao fim de minha curta pregação, o pastor falou a coisa mais interessante que eu poderia ter ouvido: "Queremos agradecer-lhe por estar aqui. Mesmo que você não tivesse falado nem uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta."

Naquela noite, fiquei pensando em como aquelas duas igrejas eram diferentes. Uma, aparentemente, estava seguindo a rota da cooperação com o governo: atraía grandes multidões, era aceitável para os jovens. A outra, eu sentia, estava seguindo por um caminho solitário. Eu estava prendendo tantas coisas e tão depressa, que era difícil assimilar tudo. Algo me dizia que nem tudo era como parecia ser.
Eu tinha um objetivo especial, queria orar por cada pessoa que eu encontrara durante aquela viagem. A manhã seguinte seria a última que passaria em Varsóvia. Enquanto estava ali sentado, orando, ouvi uma música. Ela vinha pela avenida. Marcial, forte, com o som de vozes cantando.
Ali vinham os jovens socialistas, marchando. Nem por um momento eu podia crer que eles fossem coagidos. Marchavam porque criam. O que é que eu, do Ocidente, poderia fazer a respeito deles, daqueles milhares de jovens que passavam marchando à minha frente?

Coloquei a mão sobre minha Bíblia, e vi que estava olhando para o livro de Apocalipse. Meus dedos descansavam sobre a página, quase como se estivessem indicando uma passagem: Apocalipse 3.2 "Sê vigilante", dizia o versículo que estava sob a ponta do meu dedo, "e consolida o resto que estava para morrer..."

Repentinamente, compreendi que eu estava vendo as palavras através de uma cortina de lágrimas. Será que Deus as estava falando para mim naquela hora, dizendo que a obra da minha vida seria ali, atrás da "Cortina de Ferro", onde o remanescente da sua Igreja estava lutando para sobreviver? Será que eu teria uma participação no fortalecimento daquele precioso resto?"


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Foto: Casa dos pais do Irmão André, na Holanda, onde ele viveu até os 28 anos #BRASIL